Igreja tem cada vez menos padres

Nos últimos dez meses faleceram, em Portugal, 157 sacerdotes diocesanos. Este ano, a maioria este mês, são ordenados apenas 30 novos padres

 

Em apenas dez meses as dioceses portuguesas perderam 127 padres. De Setembro do ano passado até agora morreram 157 sacerdotes e este ano são ordenados apenas 30 novos padres, quase todos este mês.

Este é o pior registo dos últimos sete anos, sendo que são ordenados menos oito padres do que no ano passado e menos dezasseis do que em 2009.

A acrescentar à quebra nas ordenações regista-se um aumento da mortalidade, atendendo à elevada média de idades do clero diocesano em Portugal. Dos 3355 padres que constam no anuário católico (eram 3512 em Setembro do ano passado) cerca de 1200 têm mais de 75 anos, a idade canónica da reforma.

A boa notícia é que tudo aponta para novo aumento das matrículas nos seminários menores, com a entrada de mais de 90 novos seminaristas.

Hoje, às 16h00, o sacramento da ordem é ministrado a seis diáconos, três na sé do Porto e outros tantos na catedral de Setúbal. Já no passado fim-de-semana foram ordenados cinco padres em Lisboa, dois na Guarda e três em Vila Real, e, até ao fim do mês, vão ser ainda ordenados dois em Braga e um em Lamego (dia 17), um em Évora e dois em Viana do Castelo (dia 24) e, no último domingo, três na diocese do Funchal. Há ainda, mas sem data marcada, dois novos padres para ordenar em Portalegre e outros dois em Angra do Heroísmo.

SETÚBAL REMA CONTRA A MARÉ

Um oásis, se tivermos em conta as cinco dioceses a sul do Tejo. Em Setúbal hoje é dia de festa, com a ordenação de três novos sacerdotes. Um acontecimento que, diz o bispo D. Gilberto Reis, não é assim tão raro como se pensa. "Desde que estou cá, contam-se 13 anos, já ordenei 24 padres", disse o prelado ao Correio da Manhã, acrescentando que "todos os anos tem havido ordenações". Mas, afinal, qual é o segredo, tratando--se de uma diocese tradicionalmente difícil para a Igreja? O bispo diz que não há. "Isto deve-se à graça de Deus e ao trabalho, sem dúvida incansável, dos padres e leigos em prol das vocações", diz D. Gilberto, acrescentando que "ordenar três padres é motivo de uma grande alegria".

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/

publicado por adm às 22:51 | comentar | favorito