Verão alargado causa quebra acentuada nas vendas de calçado

O atraso do Inverno complicou as vendas de marcas e lojas: algumas caíram mais de 55%.

A chuva chegou tarde para a indústria portuguesa de calçado: a crise económica já afectava as vendas e o Verão fora de época só agravou as contas de fabricantes e lojistas, muitos deles obrigados a antecipar promoções. Fortunato Frederico, empresário que detém a marca de sapatos Fly London e a rede de sapatarias Foreva, confirma que "as vendas do sector neste Outono caíram entre 15 a 20% em toda a Europa", fruto de um Verão fora de tempo. A colecção de Outono/Inverno da Fly London, que exporta quase 95% da sua produção, ainda só registou 20 mil pares de repetições, quando no ano passado este tipo de encomenda atingiu 80 mil. No total, a produção anual da Fly London é de 700 mil pares.

Já nas lojas Foreva, as vendas caíram mais de 55% nas primeiras semanas de Outubro face ao mesmo período de 2010. "A crise e o Verão tardio" são responsáveis por esta acentuada quebra, explica o empresário, embora na última semana, com as primeiras chuvas, tenha sentido uma recuperação. Fortunato Frederico admite até que, este ano, a rede Foreva pode "pisar o risco vermelho". A rede de mais de 60 lojas no País facturou quase 20 milhões de euros em 2010.

"Esta época de Inverno não existe", diz André Fernandes, responsável da Evereste, empresa que detém a marca Cohibas. "O consumo está a baixar, não há repetições para o mercado nacional" e este travão nas vendas vai "ter consequências para as épocas seguintes, pois os lojistas vão ficar com ‘stocks' nas lojas e depois vão ser mais cautelosos nas compras".

André Fernandes lembra que as lojas estão prestes a entrar em promoções e que se perdeu a oportunidade de ganhar margem. "Todos estão apreensivos com a baixa de poder de compra", frisa. "O atraso do Inverno está a resultar numa quebra brutal do negócio", salienta Domingos Almeida, director-geral da Camport. "O regresso às aulas foi mau e Outubro está igual, já não vai haver repetições." Domingos Almeida salienta ainda "que as cobranças estão terríveis" devido à quebra nas vendas dos lojistas.

Miguel Oliveira, que detém a marca Vírus, admite que "Outubro é um mês muito forte para o botim e bota e, este ano, só se vendem sabrinas". Os clientes portugueses da Vírus "estão amedrontados, nem lhes apetece fazer as montras", adianta.

Exportações seguram vendas

Só as vendas para o exterior parecem estar a segurar as empresas. Miguel Oliveira, que exporta 90% da produção, estima para este ano um crescimento de 5% nas vendas. Fortunato Frederico também prevê um crescimento entre 8 a 10% nas vendas da Fly London, apoiado nas vendas ao exterior.

Já Domingos Almeida estima um aumento de 5 a 7% no volume de negócios da Campeão Português, que detém a Camport. Este crescimento será alavancado nas exportações, que valem 60% do negócio da empresa. Mas a "exportação começou a abrandar, a Europa começa a não crescer e o motor da Europa, que é a Alemanha, está a abrandar", alerta.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 23:18 | comentar | favorito