É preferível baixar salários a eliminar empregos, diz a CIP

António Saraiva, presidente da CIP, sinalizou hoje que também no sector privado terá de haver reduções salariais.

Na conferência do Diário Económico, em Lisboa, para discutir os desafios do Orçamento do Estado, António Saraiva argumentou ser preferível avançar com redução de salários a cortar empregos.

"Até ao final do ano é fulcral que se crie um plano para a nossa economia ou o desemprego será superior ao que está previsto no Orçamento", disse o presidente da CIP, acrescentando que "se nada for feito muitas empresas vão fechar por falta de crédito". Para contrariar a onda de falências, a CIP pede uma reformulação do memorando da ‘troika' e "uma voz mais activa na Europa". Mesmo assim "tenho sérias dúvidas que voltemos aos mercados em 2013", disse também o responsável.

António Saraiva comentou também a medida que prevê um aumento em 30 minutos diárias da carga laboral no sector privado. A medida "faz sentido" e devia ser acompanhada "de uma bolsa anual de trabalho que as empresas possam utilizar anualmente de acordo com a sazonalidade e com as suas necessidades."

Ponto de bifurcação

No mesmo evento, Rui Semedo, presidente do Banco Popular Portugal, declarou que "a Europa está perto do ponto de bifurcação: ou mais Europa ou retrocesso da Europa. Essa é a grande decisão".

O banqueiro sublinhou ainda que "o grande problema" da banca chama-se liquidez e que enquanto a questão da dívida soberana "não estiver resolvida nada é possível".

"Temos que fazer um exercício enquanto sociedade sobre que tipo de País e de sociedade temos. O pior que podia acontecer era, depois de tudo isto, termo o mesmo País e a mesma organização. Temos um modelo que tem que ser profundamente alterado", concluiu Rui Semedo.

Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social, destacou por seu turno que seria "muito importante, até Março, ter um acordo na concertação social. Dava uma força extraordinária ao País e julgo que há condições para ter um excelente acordo".

Na sua intervenção, Silva Peneda mostrou-se "preocupado com o aumento do incumprimento" na economia e defendeu "um programa para aumentar a competitividade, um plano pensado a cinco ou a sete anos".

fonte:http://economico.sapo.pt/

 

publicado por adm às 13:37 | comentar | favorito