Marcas brancas conquistam 36% do mercado

As medidas de austeridade e a quebra de rendimento disponível das famílias estão a acelerar o consumo de marcas da distribuição, que já conquistam 36% do mercado das grandes distribuidoras associadas da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

«Estamos a andar mais depressa do que estimámos», disse à Lusa a directora-geral da APED, Ana Isabel Morais, explicando que a inflação, o desemprego e as medidas de austeridade aceleraram o já esperado aumento de quota de mercado das marcas próprias das distribuidoras.

As marcas da distribuição têm ganho nos últimos anos quota de mercado em Portugal, mas a actual conjuntura acelerou o processo: «Com a quebra de rendimentos, os consumidores ficam hipersensíveis ao preço e, como já ganharam confiança nas marcas próprias, optam cada vez mais por marcas da distribuição».

No sector da alimentação, os dados da APED indicam que os seus associados aumentaram a quota de mercado das marcas próprias três pontos percentuais para 36% no primeiro semestre deste ano, face ao mesmo período de 2010.

Mesmo com este aumento de quota, o país tem margem para crescer, uma vez que países tomados como referência das grandes distribuidoras conquistaram já quotas de 55% do mercado.

Aumento do IVA terá «grave impacto»

A proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano prevê um agravamento para a taxa máxima de 23% de alguns produtos da taxa mínima (6%) e intermédia (13%) do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) aplicado sobre produtos como água engarrafada, batata frita congelada, refrigerantes, óleos alimentares ou margarinas.

O aumento do IVA, somado aos cortes nos subsídios de Natal deste ano, tem um «grave impacto económico» na actividade das grandes superfícies e nas estimativas de vendas para este ano, revelou a associação do sector. A APED assume a sua «gravíssima preocupação» com a decisão do Governo.

A associação invoca um estudo recente que estima «quebras acentuadas» no consumo por causa do aumento do IVA, embora menos acentuadas no ramo alimentar.

«De Janeiro a Setembro houve uma quebra muito ligeira nas vendas do sector alimentar, de 0,2%, enquanto nas outras subcategorias do sector não alimentar - como a electrónica de consumo, que caiu 5% ou o vestuário, quase 9% - a quebra foi maior», explicou a directora-geral da APED.

A quebra é sentida pelas grandes superfícies desde o início do ano, mas acentuou-se com as últimas medidas de austeridade: «Numa família com duas crianças e um rendimento mensal de mil euros, cerca de 35% do rendimento é gasto no cabaz de bens essenciais. Com o agravamento do IVA isto vai traduzir-se num aumento do orçamento familiar de 36 euros por mês, o que é muito forte para os agregados familiares, e falamos apenas do cabaz alimentar essencial».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:48 | favorito
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