Crise: Casas para alugar já não chegam para a procura

O aumento da procura do arrendamento, a falta de casas para alugar e inquilinos sem dinheiro para as prestações e a regressaram à família de origem é o retrato feito pelos agentes do sector, que estão apreensivos com esta realidade.

Só nos primeiros oito meses do ano, cerca de 3.900 imóveis foram entregues para pagamento, tanto por famílias, como por promotores imobiliários, o que representou um agravamento de 7,9 por cento face a igual período de 2010.

As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto são as que concentram o maior número de dações (48,7%), com 29,9% e 18,8%, respetivamente, segundo dados da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

A entrega das casas e a dificuldade de obter crédito bancário estão a levar a uma procura cada vez maior do arrendamento, só que não há oferta.

Um estudo da APEMIP revela que para haver um equilíbrio entre a oferta e a procura seriam necessários entre 60 a 70 mil fogos rapidamente no mercado, mas a realidade está longe disso.

“O mercado de arrendamento é de cerca de 19 a 20%, isto não é nada. Nós precisávamos que fosse 30 ou 40%, mas para isso precisamos dinamizar este mercado”, disse à Lusa Luis Lima, presidente da APEMIPI, apresentando uma solução: “pegar num terço das casas novas que estão disponíveis no mercado e colocá-las no mercado de arrendamento”.

Mas para isso é preciso criar condições: “Sem taxa liberatória o mercado de arrendamento é uma miragem, não vai existir”, sublinhou.

Por outro lado, alertou Luís Lima, as rendas estão a aumentar, à exceção do “mercado alto, onde não há tanta crise”.

Segundo uma sondagem feita pela associação junto de pessoas que adquiriram casa no mercado baixo e médio, metade disse que aceitou um arrendamento superior às suas possibilidades. “É uma tragédia com consequências imprevisíveis”, avisou.

Esta opinião é sustentada pelo presidente da Associação Lisbonense de Proprietários: “Temos inúmeras situações, que cada dia aumentam mais, de inquilinos que deixam de pagar a renda”.

“Agora, não sabemos se isso é por dificuldades ou se é simplesmente porque perceberam que compensa ficar no imóvel sem pagar porque os tribunais são ineficientes e demoram muito tempo a despejar os inquilinos”, disse Luís Menezes Leitão.

O responsável adiantou que a maior parte dos proprietários já “perderam a confiança para por as casas no mercado”: Esta situação está a levar a uma “escassez muito grande de casas para arrendar, o que acabaria se houvesse uma lei de arrendamento justa e eficaz”.

Outro problema, salientou, é o aumento da tributação do imobiliário, que afeta não só os senhorios como quem comprou casa própria, que devido à crise e aos cortes salariais já tem dificuldade em pagá-la.

“Corre-se o sério risco de haver mais pessoas a não conseguir pagar os seus imóveis e ter de devolvê-los aos bancos, o que poderá gerar uma crise sem precedentes neste âmbito”, alertou.

Natália Nunes, do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco, contou que a maior parte das pessoas que recorre à associação de defesa do consumidor em dificuldades económicas consegue manter as casas porque há reestruturação do crédito à habitação.

“Relativamente a quem entrega as casas ou em última instância vende a casa, o que estamos a verificar é que ou vão viver para casa dos pais, uma grande percentagem, ou então vão arrendar uma nova casa”, disse Natália Nunes.

fonte:http://noticias.sapo.pt/

publicado por adm às 14:12 | comentar | favorito
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