Saída de deputados do Parlamento cai a pique nesta legislatura

Só três renunciaram até ao momento e há 22 suspensões. Em legislaturas anteriores, saídas chegavam aos 100 deputados.

Apenas 25 deputados abandonaram até ao momento o seu mandato no Parlamento e 18 destes foi para se sentarem nas cadeiras do Governo. No total, só três deputados renunciaram aos mandatos e outros quatro pediram suspensão das funções. Dos 230 deputados eleitos, 205 continuam a prestar trabalho parlamentar. Estes são números reduzidos quando comparados com as elevadas saídas e renúncias que marcaram as legislaturas anteriores, quando, em muitos casos, entre 50 a mais de 100 deputados acabavam por abandonar a Assembleia da Repúblico depois de terem dado a cara nas listas para as eleições legislativas. José Sócrates (PS), Fernando Nobre (PSD) e Augusto Santos Silva (PS) foram os deputados que renunciaram.

Entre os politólogos as opiniões dividem-se quando se lhes pede que interpretem o fenómeno. Se para José Adelino Maltez a principal razão é o facto de estar em curso uma reestruturação da administração pública que trava as nomeações de directores-gerais, para António Costa Pinto a queda relaciona-se com o facto de os deputados do PSD que restaram serem de "segunda linha" e de os deputados do PS "não terem para onde ir".

A meio da 1º legislatura de José Sócrates, por exemplo, em 2007, já 30 deputados tinham renunciado ao mandato, fora os outros 30 que tinham pedido a suspensão. A um ano do final, em 2008, já eram 117 os deputados que tinham abandonado o Parlamento. Na legislatura anterior, entre 2002 e 2005, o saldo pautou-se pela renúncia de 29 deputados e por 137 suspensões.

Uma situação que na altura causou muita polémica porque grande parte dos círculos eleitorais já não eram representados pelos cabeças-de-lista que o povo tinha eleito, o que para os peritos em ciência política afasta eleitores de eleitos e retira qualidade política à Assembleia. Daí que na reforma do Parlamento as regras para a entrada e saída de deputados (muitos suspendem e depois voltam) tenham sido fortemente apertadas, passando o "motivo relevante" a reportar-se apenas a doença grave ou maternidade - exemplo de Ana Drago (BE) já nesta legislatura. Ainda assim, na legislatura seguinte, entre 2009 e 2010, deram-se 66 substituições, 43 suspensões e oito renúncias.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 08:25 | favorito