Carro de Angélico era emprestado

 

 

Três meses após a morte de Angélico Vieira, o sobrevivente Hugo Pinto, que seguia no carro, ao lado do cantor, ainda tem presente na memória todos os momentos do trágico acidente que ocorreu na A1, em Estarreja. A poucos dias de o processo encerrar, o jovem recordou emocionado, ao CM, o momento em que viu o amigo inconsciente, no banco do condutor. "Eu chamei por ele várias vezes, mas ele não me respondeu. Ainda gritei bem alto pelo nome dele. Não reagiu", contou Hugo, sem esconder a dor.

Angélico foi buscar Hugo ao Porto, ao final da noite de sexta-feira, dia 24 de Junho, quando regressou de Baiona, Espanha, com Anita CostaHélio Filipe - a outra vítima mortal - e Armanda Leite, a ferida mais grave. Durante o dia, os dois amigos trocaram várias mensagens de telemóvel. O cantor, de 28 anos, revelou a Hugo que ia pedir emprestado um carro a Augusto Fernandes para irem à Morangomania. Pediu também a sua opinião sobre a viatura que deveria escolher. Hugo estranha agora o aparecimento de um contrato de compra e venda do stand Auguscar. Ao amigo, Angélico Vieira sempre disse que o BMW 635 era emprestado e que apenas o tinha ido buscar para a festa da TVI.

"O Angélico mandou-me muitas mensagens durante o dia. Disse que ia buscar um carro ao stand. Tinha pedido ao Augusto que lhe emprestasse um Hummer, mas ele disse que não tinha nenhum disponível. Ele mandou-me então mais mensagens a perguntar que viatura deveria trazer, disse-me quais eram as opções, e eu respondi que o BMW 635 era o melhor", revelou ao CM Hugo Pinto.

O sobrevivente descarta ainda a hipótese avançada pelo advogado de Augusto e garante que o Renault Clio que seguia atrás do BMW não teve qualquer interferência no acidente. "O carro chegou muito depois. Eu já tinha saído do BMW e pedido ajuda", contou Hugo.

PORMENORES

INTERNADO QUATRO DIAS

Angélico esteve internado quatro dias no Hospital de Santo António, no Porto. As máquinas foram desligadas no dia 28 e a morte anunciada às 23h47.

FAMÍLIA ACOMPANHOU

Toda a família acompanhou o cantor nos seus últimos dias. Os pais de Angélico estiveram no quarto junto ao filho até ao momento em que aquele deixou de respirar.

FÃS FIZERAM VIGÍLIA

Dezenas de fãs do cantor chegaram a fazer uma vigília à porta do hospital. Rezaram e entoaram músicas na esperança de que Angélico sobrevivesse.

CREMADO

O corpo de Angélico foi cremado após o funeral no cemitério do Laranjeiro, em Almada. As cinzas foram depois entregues à mãe.

ANSIOSO POR IR À FESTA

As últimas palavras que Angélico Vieira trocou com o amigo Hugo Pinto foram sobre a festa da TVI Morangomania. Antes de entrar na A1, o cantor foi com Hugo Pinto ao seu estúdio buscar o CD com a nova música que ia apresentar na festa. Estava muito entusiasmado, e sentia que as coisas lhe estavam a correr na perfeição.

"Íamos a falar da festa, estávamos a combinar como é que seria a actuação, pois eu ia cantar com ele. O Angélico estava muito entusiasmado, ia lançar a nova música e sentia que ia ser um sucesso. Ele só queria que toda a família tivesse orgulho de tudo o que ele conquistou", contou Hugo.

A conversa foi interrompida pelos gritos de Angélico, que sentiu que estava a perder o controlo do carro. Ainda pediu aos amigos que se segurassem, mas o automóvel capotou, e já nada havia fazer.

"Ele fez tudo o que podia, mas era impossível segurar o carro. Capotámos várias vezes, e eu já nem conseguia perceber bem o que se estava a passar", revelou o amigo. Entre os destroços da tragédia, ficou espalhado o CD com a música que Angélico tanto ansiava lançar. Os direitos do álbum pertencem agora à família do cantor, mas não há data prevista para o seu lançamento.

CARRO AINDA ESTAVA À VENDA POR 85 MIL EUROS

No dia do violento acidente, o BMW 635 usado pelo cantor ainda continuava à venda no site do stand Auguscar, o que vem adensar o mistério quanto ao negócio realizado entre Angélico e Augusto. O potente veículo de 286 cavalos era anunciado na página pelo preço de 85 mil euros. Augusto Fernandes retirou o anúncio do site apenas no dia seguinte. No acidente, o carro ficou totalmente destruído.

DESPISTE BRUTAL DERRETEU PNEU DO AUTOMÓVEL

A violência do acidente, que ocorreu na A1, a 253 km/hora, é notória nos destroços. Um dos pneus ficou derretido, uma roda soltou-se e foi projectada alguns metros. As autoridades chegaram mesmo a pensar que o pneu tinha desaparecido, mas aquele foi encontrado na berma da auto-estrada, já destruído. A velocidade a que Angélico Vieira seguia terá aquecido a roda, o que levou a que o pneu derretesse.

SONHO DO CANTOR ERA UM FERRARI

O desejo de Angélico era ter um Ferrari California. Tinha encomendado o carro, mas aquele não chegou a tempo. "Nunca mostrou desejo de ter outro BMW", disse o amigo Adriano.

EMPRESTAVA VÁRIAS VIATURAS

Adriano Castro, amigo de Angélico, diz que Augusto Fernandes emprestava vários carros ao cantor. O jovem adiantou que na semana antes do acidente Angélico andava com um Audi Alroad.

NOTAS

ASSINATURA: PEDIRAM PERÍCIAS

O Ministério Público de Estarreja requereu à Judiciária que fosse feita uma perícia ao contrato de compra do carro. Havia suspeitas de que a assinatura tinha sido falsificada.

EIXO NÃO SE PARTIU

Os primeiros resultados da perícia feita ao BMW revelaram que, ao contrário do que inicialmente foi avançado, nenhuma roda saltou e nem o eixo se partiu.

ANÁLISES: RESULTADO NEGATIVO

As análises toxicológicas realizadas a Angélico Vieira no momento em que deu entrada no hospital revelaram que o cantor não tinha consumido droga nem álcool.

fonte:http://www.vidas.xl.pt/

 

publicado por adm às 15:11 | comentar | favorito