Corte nos subsídios afecta 440 mil funcionários públicos

O presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado disse hoje à Lusa que o corte nos subsídios de Natal e de férias, anunciado na quinta-feira à noite pelo primeiro-ministro, vai afectar 440 mil funcionários públicos.

"Estes cortes vão ser aplicados a cerca de 400 mil trabalhadores da Administração Pública central e a 40 mil trabalhadores da Administração local e regional", que ganham acima de mil euros, disse Bettencourt Picanço, em declarações à Lusa.

Neste número não estão contabilizados os trabalhadores das empresas públicas, que não têm o estatuto de funcionário público, embora também sofram estes cortes.

No final da reunião no Ministério das Finanças, o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado desafiou as restantes estruturas sindicais do sector e as duas centrais sindicais a unirem-se para protestar contra os novos cortes anunciados na quinta-feira à noite pelo primeiro-ministro.

"Já falámos com a Fesap e vamos tentar falar com a Frente Comum para marcar um encontro para discutir a situação e já pedimos à UGT para contactar a CGTP com o mesmo objectivo, porque neste momento é importante que todos se juntem para impedir que isto aconteça", disse Bettencourt Picanço à Lusa, no final de uma reunião com o ministro das Finanças e os secretários de Estado da Administração Pública e do Orçamento.

O presidente do STE deixou claro que vê com bons olhos a possibilidade de realização da greve geral. "Todas as formas de luta estão em cima da mesa", disse o responsável quando questionado sobre se uma greve geral era uma iniciativa possível.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na quinta-feira que as medidas do OE2012 visam garantir o cumprimento dos acordos internacionais, e que passam, entre outras, pela eliminação do subsídio de férias e de Natal para os funcionários públicos e pensionistas que recebem mais de mil euros por mês, enquanto durar o programa de ajustamento financeiro, até ao final de 2013.

Os vencimentos situados entre o salário mínimo e os 1000 euros ficarão sujeitos a uma taxa de redução progressiva, que corresponderá em média a um só destes subsídios.

As pensões acima do salário mínimo e abaixo de mil euros sofrerão, em média, a eliminação de um dos subsídios.

O chefe do Governo afirmou que há um desvio orçamental de 3 mil milhões de euros e anunciou também que o executivo vai reduzir o número de feriados e permitir que as empresas privadas aumentem o horário de trabalho em meia hora por dia, sem remuneração adicional.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 23:12 | comentar | favorito
tags: